Alaranjado
O meio caminho entre o amarelo e o vermelho, o alaranjado é a mais actínica das cores. Entre o ouro celeste e o vermelho ctônico, esta cor simboliza antes de tudo, o ponto de equilíbrio entre o espírito e a libido. Mas se esse equilíbrio tende a se romper, num sentido ou noutro, o alaranjado torna-se então a revelação do amor divino ou o emblema da luxúria.
Amarelo
Intenso, violento, agudo até a estridência, ou amplo e cegante como um fluxo de metal em fusão, o amarelo é a mais quente das cores, a mais expansiva, a mais ardente das cores, difícil de atenuar e que extravasa sempre dos limites em que o artista desejou encerrá-la (...).
Azul
O azul é a mais profunda das cores; nele, o olhar mergulha sem encontrar qualquer obstáculo, perdendo-se até o infinito, como diante de uma perpetua fuga de cor. O azul é a mais imaterial das cores; a natureza o apresenta geralmente feito apenas de transparência, i.e., de vazio acumulado, vazio de ar. O azul é a mais fria das cores e, em seu valor absoluto, a mais pura, à exceção do vazio total do branco neutro. O conjunto de suas aplicações simbólicas depende dessas qualidade fundamentais (...).
Branco
Assim como o negro, sua contracor, o branco pode situar-se nas duas extremidades da gama cromática. Absoluto - e não tendo outras variações a não ser aquelas que vão do fosco ao brilhante - ele significa ora ausência, ora a soma das cores. Assim, coloca-se às vezes no início e, outras vezes, no término da vida diurna e do mundo manifesto, o que lhe confere um valor ideal, assintomático. Mas o término da vida - o momento da morte - é também um momento transitório, situado no ponto de junção do visível e do invisível, e, portanto, é um outro início (...).
Castanho-escuro
O castanho escuro situa-se entre o ruivo e o negro, embora esteja mais próximo do negro. Vai do ocre à tonalidade terra-escura. Antes de mais nada, o castanho-escuro é a cor da gleba, da argila, do solo terrestre. Faz lembrar também a folha morta, o outono, a tristeza. É uma degradação, uma espécie de casamento rebaixador das cores puras (...).
Cinzento
A cor cinzenta ou gris, composta, em partes iguais, de preto e de branco, designaria, na simbologia cristã, e segundo F. Portal (1), a ressurreição dos mortos. Os artistas da Idade Média, acrescenta esse autor, dão ao Cristo um manto gris quando ele preside o Juízo Final.
É a cor da cinza e da bruma. Os hebreus se cobriam de cinza para exprimir uma intensa dor. Entre nós, o gris-cinza é uma cor de luto aliviado. A grisalha de certos tempos brumosos dá uma impressão de tristeza, de melancolia, de enfado. É o que se chama de tempo gris, e os franceses dizem faire grise mine para designar um ar rebatido (...).
Preto
Cor oposta ao branco, o preto é seu igual em valor absoluto. Como o branco, pode situar-se nas duas extremidades da gama cromática, enquanto limite tanto das cores quentes como da scores frias; segundo sua opacidade ou seu brilho, torna-se então a ausência ou a soma das cores, sua negação ou sua síntese.
Simbolicamente, é com mais frequência compreendido sob seu aspecto frio, negativo. Cor oposta a todas as cores, é associada às trevas primordiais, ao indiferenciamento original. Nesse sentido, lembra significação do branco neutro, do branco vazio, e serve de suporte a representações simbólicas análogas, como a dos cavalos da morte, às vezes brancos, às vezes pretos (...).
Instalado, portanto, embaixo do mundo, o preto exprime a passividade absoluta, o estado de morte concluído e invariante, entre estas duas noites brancas, em que se efetuam, sobre seus flancos, as passagens da noite ao dia, e do dia à noite. O preto é cor de luto; não como o branco, mas de uma maneira mais opressiva. O luto branco tem alguma coisa de messiânico. (...) O luto preto, por sua vez, é, poder-se-ia dizer, o luto sem esperança (...).
Rosa
(...)
Segundo F. Portal, a rosa e a cor rosa constituíram um símbolo de regeneração em virtude do parentesco semântico do latim rosa com ros, a chuva, o orvalho. A rosa e sua cor , diz ele (1), eram os símbolos do primeiro grau de regeneração e de iniciação aos mistérios (...).
Verde
Situado entre o azul e o amarelo, o verde é o resultado de suas interferências cromáticas. Mas entra, com o vermelho, num jogo simbólico de alternâncias. A rosa desabrocha entre folhas verdes.
O verde, valor médio, mediador entre o calor e o frio, o alto e o baixo, equidistante do azul celeste e do vermelho infernal - ambos absolutos e inacessíveis - é uma cor tranquilizadora, refrescante, humana. A cada primavera, depois do inverno provar ao homem de sua solidão e sua precariedade, desnudando e gelando a terra que ele habita, esta se reveste de um novo manto verde que traz esperança e ao mesmo tempo volta a ser nutriz. O verde é cálido. E a chegada da primavera manifesta-se através do derretimento dos gelos e das quedas de chuvas fertilizadoras.
Vermelho
Universalmente considerado como o símbolo fundamental do princípio de vida, com sua força, seu poder e seu brilho, o vermelho, cor de fogo e de sangue, possui, entretanto, a mesma ambivalência simbólica destes últimos, sem dúvida, em termos visuais, conforme seja claro ou escuro. O vermelho-claro, brilhante, centrífugo, é diurno, macho, tônico, incitando à ação, lançando, como um sol, seu brilho sobre todas as coisas, com uma força imensa e irredutível (...). O vermelho-escuro, bem ao contrário, é noturno, fêmea, secreto e, em última análise, centrípeto; representa não a expressão, mas o mistério da vida. Um seduz, encoraja, provoca, é o vermelho das bandeiras, das insígnias, dos cartazes e embalagens publicitárias; o outro alerta, detém, incita à vigilância e, no limite, inquieta: é o vermelho dos sinais de trânsito, a lâmpada vermelha que proíbe a entrada num estúdio de cinema ou de rádio, num bloco de cirurgia, etc. (...).
Este vermelho noturno e centrípeto é a cor do fogo central do homem e da terra, o do ventre e do atanor dos alquimistas, onde, pela obra em vermelho, se opera a digestão, o amadurecimento, a geração ou regeneração do homem ou da obra (...).
O vermelho vivo, diurno, solar , centrífugo, incita à ação; ele é a imagem de ardor e de beleza, de força impulsiva e generosa, de juventude, de saúde, de riqueza, de Eros livre e triunfante (...).
Violeta
Cor da temperança, feita de uma proporção igual de vermelho e de azul, de lucidez e de ação refletida, de ecoequilíbrio entre a terra e o céu, os sentidos e o espírito, a paixão e a inteligência, o amor e a sabedoria (...).
O violeta é também uma cor de tranquilidade na qual o ardor do vermelho é suavizado.
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Definições de Jean Chavalier e Alain Gheerbrant em "Dicionário de Símbolos", José Olympio Editora.
1 - PORTAL, Frédéric. Des couleurs symboliques das l'Antiquité, le Moyen Age et les Temps Modernes. Paris: 1925.
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